Você já recebe o salário-maternidade e fica se perguntando se dá para sobrar alguma coisa no fim do mês, mesmo com os gastos do bebê aumentando toda semana. É uma dúvida comum entre quem vive esse período: o salário-maternidade substitui a renda normal por um tempo limitado, e o dinheiro parece sempre curto demais para pensar em guardar.
A resposta é sim, dá para separar uma parte, mesmo que pequena, enquanto o benefício ainda está entrando na conta. Dá para fazer isso sem cortar o que a família realmente precisa, só organizando o que entra e o que sai antes que o salário-maternidade acabe. Esse cuidado evita que a família chegue ao fim do benefício sem nenhum dinheiro guardado para os primeiros meses em que a renda muda de novo.
Por que separar uma reserva ainda durante o salário-maternidade?
Separar uma reserva ainda durante o salário-maternidade dá um colchão de segurança para o momento em que a renda muda de novo, seja porque você volta ao trabalho, seja porque passa a cuidar do bebê em tempo integral.
O salário-maternidade dura 120 dias corridos, conforme a Lei 8.213/91, prazo que pode ser maior em situações previstas em lei, como parto antecipado ou internação do bebê logo após o nascimento. Esse período passa rápido, e quem não se organiza chega ao fim do benefício sem saber de onde vai tirar o dinheiro para as primeiras semanas seguintes.
Ter uma reserva pronta, mesmo pequena, tira parte dessa pressão. Ela não precisa cobrir todas as contas da casa, só servir de respiro enquanto a rotina financeira se ajusta ao novo momento.
Como montar reserva de emergência com o salário-maternidade passo a passo?
Montar uma reserva de emergência com o salário-maternidade fica mais fácil quando vira uma rotina fixa, não uma decisão deixada para o fim do mês, quando já não sobra nada.
- Liste os gastos fixos do mês, como aluguel, contas de consumo, fraldas e leite, antes de decidir quanto sobra para guardar.
- Separe o valor da reserva assim que o salário-maternidade cair na conta, antes de pagar o resto das contas.
- Guarde esse valor numa conta diferente da que você usa no dia a dia, para não misturar com o dinheiro do mês.
- Revise o valor guardado todo mês, aumentando quando sobrar mais e reduzindo nos meses mais apertados.
Esse hábito funciona mesmo quando o valor guardado é pequeno. O que sustenta a reserva é a repetição todo mês, mais do que o tamanho de cada depósito, enquanto o salário-maternidade ainda está caindo na conta.
Onde guardar o dinheiro da reserva de emergência?
O lugar mais indicado para guardar a reserva de emergência é uma aplicação com resgate rápido e sem risco de perder o valor investido, como a poupança ou um fundo de renda fixa com liquidez diária.
Evite deixar esse dinheiro junto com o saldo da conta corrente que você movimenta no dia a dia: é fácil gastar aos poucos sem perceber. Também não vale a pena arriscar a reserva em investimentos que podem perder valor rapidamente, porque aqui o foco é ter esse dinheiro disponível rápido quando precisar.
Para quem já tem alguma reserva guardada e quer diversificar um pouco, o Tesouro Direto, programa do Governo Federal para venda de títulos públicos, também tem opções com liquidez diária. Antes de colocar o dinheiro da reserva ali, vale comparar o prazo de resgate de cada título, porque nem todos devolvem o valor no mesmo dia.
Quem já organizou as contas e está perto do fim do salário-maternidade pode repensar o destino desse dinheiro, como mostra este outro texto do blog sobre o orçamento quando o benefício termina.
Quanto guardar do salário-maternidade por mês?
Não existe um valor fixo que sirva para todo mundo: quanto guardar do salário-maternidade por mês depende do que sobra depois de pagar as contas fixas da casa.
Quem consegue guardar uma quantia pequena, mas repete isso todos os meses, geralmente chega mais longe do que quem tenta guardar um valor alto só de vez em quando. O importante é que esse valor não comprometa o pagamento das contas básicas, porque reserva que vira dívida no cartão de crédito perde o sentido.
Uma forma de começar é definir um valor fixo, mesmo pequeno, e tratá-lo como mais uma conta do mês, igual ao aluguel ou à internet. Com o tempo, dá para reavaliar esse valor conforme o salário-maternidade continua caindo na conta e as despesas da família ficam mais previsíveis.
O que fazer quando não sobra nada para guardar?
Quando não sobra nada para guardar, o primeiro passo é revisar os gastos variáveis antes de desistir da reserva de emergência.
Compras por impulso, assinaturas paradas e entregas feitas por conveniência costumam pesar mais do que parecem no fim do mês. Cortar um item de cada vez, em vez de tentar mudar tudo junto, tende a durar mais.
Se mesmo assim não sobrar nada, vale lembrar que o pedido do salário-maternidade pode ser feito gratuitamente pelo Meu INSS, sem custo com despachante ou assessoria, o que já evita um gasto a mais nesse momento. Quando o aperto for maior, buscar orientação sobre o próprio pedido do benefício, incluindo prazos e documentos, costuma valer mais do que tentar guardar dinheiro à força.
Guardar uma reserva durante o salário-maternidade pede um pouco de organização enquanto o benefício ainda está entrando na conta, sem abrir mão do que a família precisa no dia a dia. Para quem quer ver outros temas sobre o orçamento da família com um bebê pequeno, vale conferir os outros textos da categoria Maternidade e Finanças.

